O que está por trás da má reputação do novo filme sobre Branca de Neve? O desastre de bilheteria, que estreou na semana passada e até agora não cobriu nem um terço dos US$ 270 milhões que a The Walt Disney Company gastou para produzir o live action, (a expectativa era faturar U$ 1 bilhão) não repousa somente nas adaptações talvez excessivamente woke do roteiro ou a pouca identificação do elenco com os adorados personagens da heroína e seus anões. Agora ficamos sabendo que o posicionamento público da atriz que interpreta o papel principal, Rachel Zegler, teve influência decisiva neste episódio.
Em 12 de agosto de 2024, três dias após a atriz subir ao palco no evento de fãs D23 da Disney para apresentar o primeiro trailer oficial de “Branca de Neve”, ela agradeceu a seus seguidores em um post no X por levar o teaser a 120 milhões de visualizações em 24 horas. Um minuto depois, ela acrescentou uma reflexão tardia no mesmo tópico: “E lembre-se sempre: liberte a Palestina”. Detalhe: Gal Gadot, que interpreta a Rainha Má, é israelense e não teria gostado do episódio.
Três meses depois, após a eleição presidencial nos Estados Unidos, Zegler postou “Fuck Donald Trump” e “Que os apoiadores de Trump nunca conheçam a paz” no Instagram. Nem apelos dos executivos da Disney fizeram com que a atriz apagasse os posts.
Sem nenhum juízo de valor, é fácil constatar que, ao assumir esta postura publicamente, Rachel desagradou pelo menos 50% do público potencial do filme – mesmo considerando que uma parte considerável é formada por crianças e adolescentes, eles muitas vezes vão ao cinema acompanhados dos pais ou dependem de sua aprovação sobre o que vão assistir.
E a questão parece não ter ficava apenas na política: no ano passado Rachel criticou publicamente o “Branca de Neve” original de 1937, observando que no desenho animado de Walt Disney o príncipe “literalmente pratica stalk” contra a heroína. A premiere do filme na Inglaterra foi cancelada, e detratores da postura da atriz apelidaram a nova versão do filme de “Snow Woke”.
Em tempos em que os posicionamentos públicos sobre quase todos os assuntos viraram uma constante, as corporações discutem como administrar estes fenômenos quando partem de seus atores, executivos ou mesmo os influencers que falam em nome das marcas. Tema para seguirmos depois.